NuPAA no XI CIPA

O NuPAA tem se feito presente nos Congressos Internacionais de Pesquisa (Auto)Biográfica – CIPAs desde 2021, quando, pela primeira vez, a abordagem “Pesquisa Autobiográfica em Arte” foi apresentada. O texto foi publicado na Revista Nós (UEG).

Em 2024, o NuPAA voou até Salvador para compartilhar processos e resultados de pesquisas artísticas em andamento no Programa de Pós-Graduação em Arte e Cultura Visual (PPGACV/FAV/UFG), na linha de pesquisa Poéticas Artísticas e Processos de Criação, e na Linha 1 do NuPAA – Materialidades e Imaterialidades Auto/Biográficas nas Poéticas Artísticas e Processos de Criação. As participações se deram nas sessões de comunicação oral, mas também na sessão de Grupos de Pesquisa e no Simpósio Internacional, que reuniram artistas pesquisadoras das artes visuais de diversas instituições do Brasil.

Naquele momento, em 2024, as artes ainda se encontravam subsumidas à Área Temática 4 – Memória, história, literatura, artes. Mas os diversos espaços de comunicação já apontavam para a inegável marca das pesquisas situadas na área de Artes, sublinhando a presença de artistas, professoras/es e pesquisadoras/es dedicadas/os às singularidades das investigações em música, artes visuais, teatro e dança em interlocução com o campo da pesquisa (auto)biográfica, autobiográfica, biográfica e/ou narrativa.

Em 2026, o XI CIPA aconteceu em Belo Horizonte, na UFMG. A professora, pesquisadora e artista Rosvita Kolb, sensível ao movimento das artes ao longo dos últimos anos nos CIPAs, coordenou a criação de um novo eixo intitulado ARTES, PERFORMANCES E NARRATIVAS (AUTO)BIOGRÁFICAS. Assim, as Artes deixaram a Área Temática 4 para ganhar visibilidade não apenas como manifestação artístico-cultural, mas especialmente como campo teórico-espistemológico de investigação.

O NuPAA foi convidado a participar deste momento histórico para as pesquisas artísticas autobiográficas e ficamos felizes pelo convite e pelo reconhecimento do trabalho que temos feito há, pelo menos, dez anos.

Assim, em 2026, integramos a primeira exposição de artes visuais do CIPA, intitulada De repente acontece o tempo se mostrando, na galeria da Escola de Belas Artes da UFMG, com curadoria de Rosvita Kolb. O NuPAA participou com os seguintes trabalhos, todos resultados de pesquisas em andamento:

  • Bernardo Morais, Antes de nascer, quase já tendo morrido. Assemblage. Redomas de vidro, recipientes de barro, ninho de pássaro, dentes humanos e não humanos, carvão, toá e estopa, 45 x 23 x 22 cm, 2026.
  • Brayan Arantes, Árvore Genealógica. Pintura. Ácido sulfúrico e caneta hidrográfica sobre cinco chapas de cobre em moldura coberta por fita de cobre, 30 x 20 cm (cada), 2024.
  • Luiza Domingos, à Mona Hatoum e Karimeh Abbud. Performance. Vídeo, 14’13”, 2025.
  • Luiza Domingos, para a gente se ver bastam os espelhos. Vídeo. Música original do filme Caramel, Mreyte Ya Mreyte, dirigido por Nadine Labaki (Líbano). Trilha sonora de Khaled Mouzanar, letra de Tania Saleh, voz de Rasha Rizk, 5’22”, 2022.
  • Manoela dos Anjos Afonso Rodrigues, ab: [Auto] Intermedia Chart – NuPAA’s update. Impresso/Public-ação. Tiragem: 50 exemplares. Intervenção sobre o diagrama Intermedia Chart, de Dick Higgins (1995), 100 x 80 cm, 2026.
  • Manoela dos Anjos Afonso Rodrigues, Moving diary. Filme-diário, 2’44”, 2022/2023.
  • Núcleo NuPAA Museu da Pessoa: Manoela dos Anjos Afonso Rodrigues, Mayara Varalho, Rafael de Almeida. Contar o fazer: Manuela Costa. Curta-documentário, 8’52”, 2026.

Outro espaço importante do evento foram as Mesas vinculadas aos Eixos Temáticos. A Mesa V destinou-se ao Eixo VIII: Artes, Performances e Narrativas (Auto)Biográficas, e aconteceu no dia 22 de setembro de 2026, das 16h às 18h, no auditório 102 do edifício CAD2 da UFMG. Integraram o painel: Christine Delory-Momberger – UPNord, França; Manoela dos Anjos Afonso Rodrigues – UFG, Brasil; Mariana Martins de Meireles – UFRB, Brasil; e Rosvita Kolb Bernardes – UFMG, Brasil.

A professora Manoela dos Anjos Afonso Rodrigues, líder do NuPAA, realizou a apresentação intitulada Pesquisa Autobiográfica em Arte – PABA, destacando a relevância das pesquisas realizadas na área de Artes, sua pluralidade mas também sua singularidade teórico-epistemológica. Enfatizou a criação e o aprofundamento da PABA como abordagem de pesquisa artística que se volta aos aspectos materiais e imateriais da pesquisa autobiográfica que podem ser, inclusive, tomados por artistas como matéria-prima da criação em contexto de pesquisa acadêmica situada nas linhas de Poéticas Visuais, Poéticas Artísticas e Processos de Criação.

Os slides da apresentação podem ser acessados pelo link: https://canva.link/paba-nupaa. O texto preparado para a ocasião por Manoela, intitulado PESQUISA AUTOBIOGRÁFICA EM ARTE (PABA): DESLOCAMENTOS E OPERAÇÕES PARA UMA POIESIS AUTOBIOGRÁFICA, está previsto para ser publicado na Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica em 2026.

Na sessão de Lançamento de Livros, o NuPAA juntou-se ao CVE (grupo de pesquisa Cultura Visual e Educação) para lançar o livro Experimentações Biográficas na Pesquisa, na Arte e na Educação, organizado pelas professoras Lilian Ucker Perotto e Manoela dos Anjos Afonso Rodrigues.

O e-book é resultado de uma disciplina eletiva ofertada pelas docentes no PPGACV em 2023/2 e conta com 21 capítulos que exploram, de diversas formas, as contribuições das abordagens biográfica, autobiográfica e narrativa para a pesquisa em Arte e Cultura Visual. O livro pode ser baixado aqui. No último capítulo do e-book, intitulado Pesquisa Autobiográfica em Arte (PABA): desenhando um campo para o autobiográfico na pesquisa artística em Artes Visuais, Manoela aprofunda as reflexões iniciadas no artigo de 2021 publicado na Revista Nós.

E para finalizar, compartilhamos processos e resultados de pesquisa artística na sessão de comunicação oral do dia 24 de setembro, no Eixo VIII: Artes, Performances e Narrativas (Auto)Biográficas. Nós apresentamos os seguintes trabalhos:

  • O fazer autobiográfico nas artes visuais: poéticas de existência nas formas artísticas de enunciação, Bernardo de Morais Pinto, Brayan Lucas Arantes da Rocha Caires, Luiza Domingos Barra e Manoela dos Anjos Afonso Rodrigues;
  • O biográfico como campo de problematização epistemológica, metodológica e poética no Programa de Pós-Graduação em Arte e Cultura Visual; Lilian Ucker Perotto e Manoela dos Anjos Afonso Rodrigues;
  • Contar o fazer: histórias de artistas sobre formação e consolidação de percursos no estado de Goiás, Manoela dos Anjos Afonso Rodrigues.

Ao longo desses anos, os CIPAs têm se mostrado um espaço fundamental de provocações e inquietações que têm levado ao amadurecimento, circulação e reconhecimento das pesquisas que desenvolvemos no NuPAA. A Pesquisa Autobiográfica em Arte (PABA) vem encontrando possibilidades de interlocução e, também, de diferenciação, o que nos permite aprofundar reflexões a partir das especificidades das Artes Visuais, especialmente a partir das linhas de Poéticas.

A criação do Eixo VIII – Artes, Performances e Narrativas (Auto)Biográficas no XI CIPA representa, nesse sentido, um marco importante. Mais do que uma reorganização temática, ela evidencia o reconhecimento das Artes como campo produtor de conhecimento, com questões teóricas, epistemológicas, metodológicas e poéticas próprias que, uma vez reconhecidas em sua constituição e em seu rigor acadêmicos, certamente contribuirão de forma singular não apenas para as artes, mas também para os estudos biográficos, autobiográficos e narrativos.

Para o NuPAA, participar desse processo significa reafirmar um compromisso assumido há mais de uma década: investigar as relações entre arte e autobiografia compreendendo as práticas artísticas como modo e locus de produção de conhecimento no contexto da pesquisa em nível de pós-graduação.

Retornamos do XI CIPA com a convicção de que os diálogos construídos nesse encontro fortalecem uma rede que vem ampliando as possibilidades de pensar as Artes como área de conhecimento e de interlocução, ao mesmo tempo em que apontam para contribuições das abordagens biográficas, autobiográficas e narrativas para a pesquisa artística contemporânea.

Desejamos que a presença das artes nos CIPAs não seja circunstancial nem periférica. Torcemos para que as exposições venham para ficar, mas como lugares privilegiados de circulação dos processos e resultados das pesquisas artísticas que se dão na interface entre as artes e o campo dos estudos auto/biográficos.

Sentimos alegria em fazer parte dessa história.