Simpósio na Anpap 2018

Simposio10_ANPAP2018

SIMPÓSIO 10
#ANPAP2018

PRÁTICAS ARTÍSTICAS AUTOBIOGRÁFICAS NAS POÉTICAS CONTEMPORANEAS: MODOS DE AUTORREPRESENTAÇÃO, ESTRATÉGIAS DE RUPTURA E LUGARES DE ENUNCIAÇÃO

Organizadoras:
Manoela Dos Anjos Afonso Rodrigues – FAV/UFG
Ana Reis – FEFD/UFG
Cláudia França – UFES

Este simpósio tem como objetivo reunir pesquisas em arte que se articulam de alguma forma com o campo da autobiografia. Consideramos a noção de “ato autobiográfico” apresentada por Smith e Watson (2010), autoras que compreendem que a autobiografia é um campo de produção de agenciamento, histórias, localização e dinâmicas de troca e comunicação. Neste simpósio estamos interessadas em discutir e aprofundar a reflexão sobre a relevância da autobiografia para as poéticas contemporâneas que procuram configurar modos de autorrepresentação, estratégias de ruptura e lugares de enunciação. Silvia Cusicanqui (2015) destaca a urgência de ações contra o “colonialismo interno” que afeta nossas subjetividades e nossas formas de ser e estar no mundo e pergunta: “¿Por qué no podemos admitir que tenemos una permanente lucha en nuestra subjetividad entre lo indio y lo europeo?” A autora acredita que é por meio dos processos de autoconhecimento que envolvem a emoção, ou seja, “el hemisferio izquierdo subalternizado por nuestro entrenamiento racional”, que podemos de fato nos lançar aos processos de descolonização e “reconectar con los ríos profundos de la vitalidad anticolonial.” Glória Anzaldúa (2012), por sua vez, afirma que viver na fronteira – das identidades, sexualidades, gêneros, línguas, crenças, geografias – provoca um constante estado de inquietação que, ao mesmo tempo em que pode oprimir, pode também fornecer elementos potentes para a criação de sentidos mais profundos para a existência. Ao pensar sobre os seus próprios processos de escrita, Anzaldúa reflete: “Quando escrevo parece que estou esculpindo osso. Parece que estou criando minha própria face, meu próprio coração. Minha alma se faz através do ato criador”. As experiências de vida são também do interesse de bell hooks (2013), que vê a teoria elaborada desde a “margem” como um instrumento de cura e libertação. Ainda, segundo Diana Klinger, a autobiografia pode se aproximar da ficção quando não tem compromisso com a narração da verdade, criando assim uma autoficção como performance do autor que cria e recria suas experiências para romper com a noção coesa e universalizante de sujeito estruturada pelos discursos hegemônicos. Convidamos artistas pesquisadoras e pesquisadores para compartilhar investigações e experimentações que se fundamentam no campo da autobiografia e buscam criar modos de autorrepresentação, estratégias de ruptura e lugares de enunciação por meio de suas práticas artísticas.

Palavras-chave: Poéticas Contemporâneas, Autobiografia, Epistemologias de Fronteira


Referências

Anzaldúa, Gloria. Borderlands, La Frontera: the new mestiza. 4 ed. São Francisco: Aunt Lute Books, 2012.

Rivera Cusicanqui, Silvia. Sociología de la imagen: ensayos. 1 ed. Ciudad Autónoma de Buenos Aires: Tinta Limón, 2015.

hooks, bell. Ensinando a transgredir: educação como prática da liberdade. São Paulo: Martins Fontes, 2013.

Smith, Sidonie e Watson, Julia. Reading autobiography: a guide for interpreting life narratives. 2 ed. London: University of Minnesota Press, 2010.

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