INVERNO EM LONDRES #5, por Daniela Marques
Semana 5.
Na segunda-feira da semana que passou, tive insônia. Bem do nada, e sem motivo. Achei estranho porque tinha passado uma semana muito tranquila antes dessa. Dormindo bem, acordando disposta e com a sensação de que meu corpo estava na frequência que eu gostaria. Nos dias seguintes, também tive muita dificuldade para dormir, além de certa irritabilidade e sensibilidade acentuadas.
Em um desses dias, fui à universidade para o Induction ao ateliê de cerâmica, uma introdução sobre como trabalhar no espaço, quais são os recursos, quais são as regras de segurança, etc. Fiquei impressionada com a estrutura e a ampla gama de possibilidades a serem exploradas ali.
Ao mesmo tempo, com minha sensibilidade em alta, fiquei desconfortável com a indiferença e frieza da comunicação utilizada durante o Induction. Muitas palavras técnicas e difíceis de entender, muita rapidez, pouco olho no olho. Não sei, choque cultural talvez. Foi um dia em que me senti bem estrangeira naquele lugar. Um mundo para acessar, uma barreira para transpor.
Ontem, o programa de “Researcher Development: Creative and Critical Methodologies“ da Doctoral School trouxe a Dr. Rosie Hornbuckle para falar sobre “Language Work within Collaborative Methodologies”. Ela falou sobre como, dentro de áreas de conhecimento, criamos um linguajar próprio – o que é natural do processo de especialização dentro das áreas de estudo – e o quanto isso também cria barreiras para a interdisciplinaridade. Uma barreira é criada em meio a essa “especialização” da linguagem, que nos limita a conversar só com quem entende do que e como falamos.
Fiquei pensando na minha visita ao ateliê de cerâmica, sobre a minha sensação de que ali operavam tanto a barreira do inglês, quanto do linguajar técnico da prática de cerâmica (em inglês) e também da diferença cultural.
Também nessa semana, fui aos ateliês de serigrafia, fotografia e gravura. Ainda presente certa dificuldade em navegar os meandros burocráticos e os atravessamentos nas diferenças de costumes e modos de lidar com as pessoas daqui no contexto dos ateliês universitários. Mesmo assim, me esforcei. Tomei um chá com John, do ateliê de fotografia, que foi um querido. Ainda não sei como vou me encaixar nesses espaços (ou se “encaixar” seria a palavra certa). Sei que quero habitá-los.
Na semana que vem, começam as férias de Páscoa. Mais tempo para ler (e descansar, e turistar). Encontrei um livro perfeito para minha pesquisa (Art & Psychoanalysis, de Maria Walsh) e posso conversar ao vivo com a autora, que é professora na UAL. Maravilhas do doutorado sanduíche!







